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IA no Judiciário: como o STF, o STJ e os tribunais já usam inteligência artificial

A petição que o advogado protocola hoje pode ser triada, resumida ou comparada com precedentes por um sistema de IA antes de chegar ao gabinete. Este guia reúne o que os próprios tribunais e o CNJ publicaram sobre isso: quantos projetos existem, quais ferramentas o STF e o STJ usam, as regras que valem e o que muda para quem advoga.

  1. Os números do CNJ
  2. STF: Maria e VitorIA
  3. STJ: Athos, Sócrates e Logos
  4. As regras
  5. O que muda para o advogado
  6. Perguntas frequentes

1. Os números do CNJ

A Pesquisa IA no Poder Judiciário 2024, divulgada pelo CNJ em 16 de setembro de 2025, ouviu 92 dos 95 tribunais e conselhos do país. Os principais resultados:

IndicadorResultado
Projetos de IA registrados em 2024178, dos quais 98 novos
Tribunais e conselhos com projeto em 202458 (63% dos participantes)
Usam IA generativa45,8%, sobretudo para gerar, melhorar e resumir texto e para revisão ortográfica
Dos que ainda não usam IA generativa81,3% pretendem usar

Os projetos em produção e em desenvolvimento ficam registrados na plataforma Sinapses, do CNJ, que publica um painel com a lista.

2. STF: Maria e VitorIA

A Maria é a plataforma de IA generativa do Supremo, usada internamente pelos servidores dentro do STF Digital. Segundo o tribunal (setembro de 2025), ela gera ementas no padrão do CNJ, relatórios em recursos extraordinários e agravos, questionários para agravos regimentais e embargos de declaração, faz revisão gramatical e oferece consulta unificada de precedentes. O STF afirma que a ferramenta não atua de forma autônoma: o servidor analisa, adapta e decide se usa o que ela produziu.

A VitorIA, lançada em maio de 2023, agrupa processos por similaridade de texto para identificar casos que podem ser tratados em conjunto.

3. STJ: Athos, Sócrates e Logos

FerramentaO que faz, segundo o STJ
AthosLançado em 2018, depois do projeto-piloto de IA no tribunal; triagem e agrupamento de processos com tema semelhante ou potencial repetitivo
SócratesInterface web do Athos para os gabinetes de ministro, com triagem de processos
STJ LogosMotor de IA generativa desenvolvido no próprio tribunal, lançado em 11 de fevereiro de 2025
Corpus927Lançado com a Enfam (Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados)
SEI.IAClassificação de documentos administrativos no Sistema Eletrônico de Informações

Na página que mantém sobre o tema, o STJ diz que usa IA para classificar processos, identificar temas repetitivos, gerar minutas de decisão, detectar padrões e relacionar julgados, com capacitação dos servidores conforme a Resolução CNJ 615/2025.

4. As regras

O uso de IA pelos tribunais segue a Resolução CNJ 615/2025, que proíbe sistemas sem revisão humana, classifica os usos por risco, exige avaliação de impacto para o alto risco e manda informar as partes sobre o uso. Em 2026, o CNJ orientou os tribunais contra instruções escondidas em petições para manipular essa IA, com certidão nos autos quando detectadas (comando oculto em petição). Para o advogado, valem a Recomendação 001/2024 da OAB e o Plano Nacional de IA da OAB.

5. O que muda para o advogado

Perguntas frequentes

Quantos projetos de inteligência artificial o Judiciário tem?

A Pesquisa IA no Poder Judiciário 2024, do CNJ, registrou 178 projetos em 2024, sendo 98 novos, em 58 tribunais e conselhos.

O juiz usa IA para decidir?

As ferramentas oficiais apoiam triagem, resumo, ementa, relatório e minuta, e a Resolução CNJ 615/2025 exige revisão humana. O STF e o STJ dizem que o servidor ou o magistrado revisa e decide o que usar.

Quais ferramentas de IA o STJ usa?

Athos, Sócrates, STJ Logos, Corpus927 e SEI.IA, segundo a página institucional do tribunal sobre inteligência artificial.

O que é a Maria do STF?

A plataforma de IA generativa do Supremo, usada internamente para gerar ementas, relatórios e questionários, revisar texto e consultar precedentes, sempre com revisão humana.

Conteúdo informativo, atualizado em 7 de outubro de 2026. Fontes: CNJ, "Pesquisa aponta que uso de IA é tendência consolidada no Judiciário" (16/09/2025); STF, "STF amplia uso de inteligência artificial em apoio à atividade jurisdicional" (25/09/2025) e notícia do lançamento da VitorIA (17/05/2023); STJ, página "Inteligência Artificial no STJ"; Resolução CNJ nº 615/2025.

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